6/24/2013

Você voltou?

- Cadê você?
- Estou aqui na frente, de Laranja!


A cabeça trabalhando...

- Como?... Como?... Como?

Vem uma sonora e quietante frase... 

- Lembre-se de como sempre foi, seja você!

Linda, não tanto quanto imaginei e moldei em mim. Abraço apertado e agradável. Eram anos de distância.
Nenhuma trava social me interrompeu, de antemão faria algumas frases de desculpas e nem os pés me tomariam a caminho.

Aquela calma confortante ia me deixando cada vez mais descuidoso com minhas reservas, afinal era eu, estava sendo. Em 2 anos pude me reencontrar novamente mas de uma forma bastante regular, pois poucas vezes dentro desse tempo me achei nos escombros que deixei brotar na minha frente.

Aos poucos as pedras estão rolando de cima de mim, porque a força brutal que imponho é grande, mas automática, sem horas extras de pensamento inquietantes, sem taxas exclusivas internas com direito a pagar duas vezes pelo erro.

- Rafael de Carvalho de volta, prazer! Onde estava esse tempo todo? Lhe procurei muito em dias nesses 2 anos, senti falta da sua atitude, raciocínio e avidez daqueles tempos remotos. Sua confiança está em dia? Ótimo, vamos praticar!

A conversa indo e vindo, estava de frente á alguém com bastante vida e luta que só no dia seguinte descobriria de fato. Aqueles lábios trabalhando para formar cada expressão de palavras em minha direção eram como se fossem duas bailarinas de música clássica. Bem perfeitos e sem vestígios de hiato quando perfaziam. Lentamente fui sentindo o cheiro que exalava, fui ficando sedado e irresoluto.

- Como poderia?

Não, não estava mais uma vez me apaixonando, tão pouco querendo algo, mas seus olhos eram convidativos e o jeito que os dedos tratavam os outros era esplendoroso. Como sempre em dia com a simplicidade.

- Ufa, não é nada demais, ainda mas agora do seu ressurgimento.

Ao deixar o local onde estávamos aqueles dedos de outrora passaram lentamente pelas minhas costas e pousaram nas minhas costelas como quem diz: "Faça o mesmo!". Não foi preciso acionar nenhum mecanismo de atividade, porque quando dei por mim eu já estava com meus braços torneando aquele corpo.

Como nos bons tempos me deixei levar pela euforia e alegria, pela audácia e ousadia.

No dia seguinte me monitorei por poucos minutos para saber se ainda estava sob o efeito anestesiante dela, mas não era da pessoa, era meu. Ela me ajudou a me encontrar e nem sabe. Talvez quem sabe um dia posso perguntar a ela como fez ou o que fez. Talvez eu possa retribuir como queira.

- Vamos relembrar bons tempos e montar outros novos, meu caro amigo?

É já era tempo em que as oportunidades eram criadas e descriadas a minha vontade. Agora com remodelagem, este figurino já deveria ter saído da sua Cela faz tempo.

- É sim, voltei!
- Quanto tempo!