5/23/2013

Essa mulher e sua Luxúria.

O sono me alcança e mais uma vez aqueles velhos hábitos de pensamentos não autorizados começam a se juntar numa rebelião de lembranças lascívias, que me corroem, perturbam e tiram meu sossego. Tenho certeza que não estou entregue a ti, pelo menos luto por isto.

Estas cenas teatrais exuberantes de gestos, jeitos e gemidos espalhados ao redor do ambiente me traem a razão de não tocar em ti mais uma vez. Sentimento de Posse maldito e horrendo me maltrata a cada toques e sussurros seus me pedindo para que entre cada vez mais profundamente nas suas entranhas. Suas mãos percorrendo meu corpo dilaceram toda a couraça que cultivo, para me proteger de todo o seu sentimento de volúpia.

Seus lábios transcendem todo meu ser a cada movimento, quando estou de pé e você aos meus pés. Esse seu olhar causa um alvoroço puro de testosterona em mim, criando uma adrenalina de ter consumir inteira ao redor dos meus braços. Liquidar o seu entusiasmo fêmeo de ser possuída com todo o meu vigor e ardor para lhe dar na mesma moeda o prazer infindável, que só você conseguiu até hoje me trazer.


Me contorço para que tudo seja esquecido e o que vem a mente são seus seios sendo amparados no meu peito e aquela dança de suor e prazer embalando a cama. Sempre foi inevitável os tapas para lhe chamar de inúmeros insultos em que só eu tinha o privilégio de te ter daquele jeito magistral.

Aquele seu urro de deleite consumando o fato de eu ser seu Homem me arruaça por dentro, causando todo um tremor, embargando minha voz e em seguida sentindo o ápice da minha voracidade. É assim que eu fico todos os dias, me entorpecendo de lembranças e esses fatos.


Só que eu odeio ter o que já tiveram, o que já saciou, o que já dizimou outrora maltas em seus prazeres. Sou um Animal que valoriza o monopólio do corpo e da alma e faço valer isso além do meu querer.

Quando acordo, faço questão de não ter mais este tipo de consumismo e a cada dia que passa é uma luta para me manter racional... de não querer-te mais nesse maná de Luxúria.

5/19/2013

Dopando a Realidade.

...sinto minha mão pesar.
A visão vai ficando turva, esquivando sempre cada vez mais longe. Estou deitado em um local bem estreito, porém bem conhecido, pela segunda vez. Mas nada é igual a de outrora. Os olhos se fecham e o pensamento prossegue, como uma máquina de engrenagem a total vapor.

... -Morra!
... -Bem feito, se machucou porque quis!
... -vai doer em você mesmo!
... -foi especial, diferente... o primeiro.
... -Ela é mais minha do que sua, sempre vai ser!

... -Tem que me dar, não estou nem aí!
... -Eu o criei e sei que só você deu vida ao que não existiu!

... -Eu te odeio!

Essas palavras ditas a mim há um tempo atrás me consomem internamente, vem e vão como se interligassem em bolinhas azuis, é assim que eu as vejo, batendo uma nas outras refletindo idéias e mensagem deixadas pra trás, criando ligações e nexos. Fortalecendo todo um pensamento firme e embasado.

- Não dá mais, cara. - Penso.

... Mas peraí! Meu braço dói! Alguém está apertando com muita força, não consigo mexê-lo.
Sinto tudo dormente, tudo bem pesado, agora não só a mão como da primeira vez. Sinto um aperto imenso no braço, algo pedindo uma decisão.

- É agora ou sofra com as sequelas! - Falo internamente.

Tento abrir os olhos e parcialmente vejo do meu lado direito uma proteção esverdeada, para que eu não olhe o resultado, não importa o que aconteça, alguém está ali. Os olhos travam querendo saber mais, procurar o porque, mas tudo toma conta de mim, estou a mercê da situação, não tenho o que fazer.
Odeio estes tipos de situações, eu mando em mim e faço o que eu tenho que fazer, não gosto quando saio do controle sem que eu me permita.

- Ta doendo, estou sentido dor! - Digo.

Vontade de sair correndo é imensa, eu não preciso de ninguém pra criar problemas e resolvê-los, eu mesmo faço isso sozinho, eu respondo pelos meus atos, eu tenho ciência de abranger meu erros e canalizá-los para superar algo presente ou...para que o valha! Quem sabe sou eu!

- Rafael, me ouve?
- Rafael?
- Acabou, Rafael...?

Balanço a cabeça com o sinal de que está tudo bem, ainda sonolento sinto me trocarem de lugar e de me ajeitarem, me sinto horrível, me sinto um estorvo, sem força, sem poder fazer nada.

...sinto que o ciclo acabou e preciso encerrá-lo para começar outro, preciso fechá-lo, preciso agora mais do que nunca precisei... domando meu sentimento, treinando a minha razão, sem me perder, evoluindo.


-Levante-se, Rafael. É a hora. - Um som bate aos meus ouvidos forte e estridente.

5/07/2013

O beijo de uma menina.

De ontem pra hoje tudo estava me soando meio estranho, estava querendo ficar um pouco com meus "botões".

A caminhada de bicicleta foi bem ao estilo da década passada, no qual eu era apenas um coadjuvante da minha vida e sem responsabilidades. A emoção corria nas veias, o lazer e a juventude aflorada. Estava precisando recapitular momentos perdidos para me renovar.

Ao chegar no meu destino mais uma vez a nostalgia bate, o som do rádio ligado na Tupi do açougueiro com todas aquelas sonoplastias radiofônicas e características do Dial me fez sentir muito bem, ver como simples coisas podem nos deixar mais a em paz. Lembrei da época em que era garoto e minha mãe pedia para que fosse na rua comprar pão, ovos, manteiga etc. Recordo que eu não gostava muito de fazer isso, porque era exatamente quando estava rolando aquele jogo de futebol na rua é que ela me pedia, porém não sabia que aquilo no futuro poderia me fazer lembrar da época boa.

Voltei a casa. Ao Entardecer me preparei para ir a academia me exercitar um pouco. Ao descer a rua veio o ápice do dia, uma menininha loirinha, com rostinho bem angelical ficou me gritando, como eu estava com os fones de ouvido e no último volume não percebi de imediato. Foi então que um senhor acenou e me mostrou que ela queria alguma coisa comigo. Cheguei perto e abaixei pra saber o que ela queria, a garotinha simplesmente estendeu um dos seus braços, segurando minha cabeça e me deu um beijo.

Quando ela fez isso me encheu com uma alegria enorme e difícil de explicar. fiquei meio embaraçoso até, me pegou de surpresa. Nunca iria esperar essa atitude ou talvez possa ter esquecido de que as crianças são autênticas demais para se preocupar com o que vão pensar.

Me perguntei:
Porque eu?
Porque tanto me chamar daquele jeito?
E porque me dar aquele beijinho na bochecha tão inocente?

Foi um dos melhores beijos que eu recebi, porque foi espontâneo, com a doçura de uma criança e com toda a simplicidade que possa ter. Ainda senti um gelado na bochecha do sorvetinho que ela acabara de tomar.
Foi simplesmente magnífico! Me renovou de uma tal forma que só a minha filha faz.

Simplicidade, carinho, doçura e renovação.

Procurando o simples eu acabo achando o necessário pra continuar esperançoso.
Acredito que minha pequena Rachel vai me trazer alegrias dessa forma, vai me reensinar tudo aquilo que eu perdi, vai me fazer um Pai mais feliz do que já sou. A vida nem sempre é aquilo que eu acho que preciso.

Obrigado Deus, por mais uma vez fazer do simples o meu necessário.