7/06/2013

Sem dor, Sem Ganho

Tênis, meia, bermuda, camiseta, uma toalha e o meu Playlist de músicas esperando apenas iniciá-lo.

Se houve algo bom que ficou, foi a raiva canalizada para treinar cada vez mais forte...

Sempre ao descer a rua o cheiro parece sempre o mesmo, talvez seja pela rotina de treinamentos incessantes e dolorosos. São uma das coisas que tem me feito jogar toda essa agonia pra fora e "descontar em mim" os resultados da dor física. Ora, nada melhor do que pegar pesado consigo mesmo para testar os seus limites psíquicos.

Hoje eu simplesmente vou fazer melhor do que ontem...

Sinto-me sempre com a adrenalina a mil quando fico com o corpo em chamas de cansaço e peço para por mais carga, sinto o meu corpo inchar a cada movimento fazendo com que a testosterona se eleve ao máximo. Esta extasia descomunal ganhando de momento só dor, me faz querer mais e mais. Me testar sempre com novas possibilidades está me deixando mais vivo do que nunca, inclusive novos rumos.

Sempre que pude aceitei desafios que eram feitos, desde o mais fútil até o mais importante da minha vida, mas nunca parei pra perceber que o melhor desafio que poderia ter sido aceito era o que seria feito por mim. Com os últimos acontecimentos fiz um pacto de dentro pra fora, de que Quanto mais dor posso suportar, melhor a resistência com o tempo, melhor para lidar com futuros problemas. Só que eu ainda não havia percebido que este era o segundo desafio, o primeiro racional no entanto.

Esse peso está leve demais, eu quero mais 10 kg de cada lado...

A cada pensamento daquelas palavras eu canalizava a raiva para a minha força elevar os 60 kgs acima da minha cabeça e voltar por mais 7 vezes. Não adianta em alguma hora eu vou ter que pensar e criar uma raiva, então prefiro guardar tudo para pensar no treino.

Os olhos externos são vistos panoramicamente pela minha visão. Há alguns que tendem ao preconceito, outros queriam fazer parte do circuito e outros que como eu era, se perguntam, "porque eu também não posso?", mas não movia um só dedo para apenas começar, o que é o mais difícil. Outros se perguntam o motivo do foco, qual é a motivação que me faz conseguir resultados. Mal sabem eles que a minha motivação é algo doloroso em que vivo, não é algo de momento, não é algo de vitória, é uma derrota interna transformada em suor.

Até você passar pela situação, você acha que nada pode acontecer contigo, que nada do que é noticiado ou veiculado nos jornais ou nas bocas dos "amigos" você vai passar, até viver o acontecido de fato. Talvez tudo era premeditado da forma como antecedeu, como começou, mas o meu desafio já estava lançado e fora o primeiro feito por mim sem que eu pudesse medir, pesar e analisar. O primeiro emocional.

Grrr... mas excitante que isso só com mais pressão local, sem ajuda porra!

Já estou demasiadamente cansado os pensamentos atormentadores se vão e fico aliviado por mais algumas horas. Hoje vi o meu tempo perdido, vi que o dia consiste em 86.400 segundos e me enganei achando que posso mudar somente no outro dia, o que eu posso é fazer agora. 1 segundo é 1 oportunidade e cada oportunidade perdida é uma história não feita, não vivida, não aceita, não contada...

Aceitei a ideia de que não vou perder mais nenhum segundo com ilusões de outrora, vou ganhar e quero mais oportunidades de viver múltiplas histórias, múltiplos momentos e instantes criados, algo em que possa viver mais intensamente do que a ilusão me deixou como legado.

Já posso ir embora, minhas forças acabaram por hoje, agora posso dormir...

Não adianta fugir, deixar pra outra hora, me esquivar, me omitir... Os problemas sempre vão amanhecer. Eu vou ser acertado e em cheio, então prefiro essa dor agora, para ganhar dela e com ela depois. A vida é igual a um treino, quanto mais dor suportar, mas forte ficará.

Amanhã mais um Leão do dia para batalhar contra.

Dor de 2012

7/01/2013

Palavras de frente pro Espelho.

- Boa Tarde!

Sorriso fácil e espontâneo, claro estava comprando.

- Boa Tarde... Inclusive muito boa!

Retribui o mesmo sorriso, porém aquele meu característico, de lado. Intenções.
Coloquei tudo em cima do balcão e relaxei o peito. Sua cabeça abaixou para fazer seu trabalho, estava de vermelho, vestuário padrão da loja. Cabelo liso e negro como a cor da noite, naturais, mantendo ainda seus reflexos, bem cuidados e longos. Seu rosto tinha um formato em "V" mas não muito afunilado, suas maças do rosto estavam ressaltando a cor dos seus olhos que assim como o cabelo, eram escuridão profunda. Aparentava ter 22 anos. Simplesmente me apaixonei por segundos.

Ao colocar as peças para serem listados no PDV, notei que sem intenção as sungas ficaram em cima das demais. Notei ainda que perfilavam de baixo pra cima a cinza, vermelha, duas pretas e por último a branca, no qual foi a primeira a ser pega pelas suas mãos com dedos finos, longos e as unhas avermelhadas que davam o tom da sua agilidade.

Normalmente a minha cabeça trabalha em milésimos de segundos com várias conversações e diálogos que nunca são encenados de forma real. Sendo que quando eu estava viajando mentalmente, a minha voz estava traduzindo o que minha cabeça estava montando em micro milésimos. Rompi a barreira dos 3 segundos.

- Você é a primeira a pegar nessa Branca! 

Falei com um tom bem humorado e genuíno.
Nesse momento achei que ia receber um fora extremamente fulminante, iria "morrer" em alguns segundos com alguma resposta padrão feminina dado a cantadas de cafajestes de plantão, me senti um. Porém para minha surpresa ela esticou os lábios para os lados, abriu um sorriso forte e bem desenhado.

- Elas vão ficar ótimas em você!

Simplesmente travei por dentro, enquanto por fora mantive a postura de quem recebe este tipo de comentário, ora não podia espantar um possível novo número de telefone no meu celular, iria jogar tudo pro alto.

Anda... Anda... Pensa... Algo rápido e....

- Por favor, faça o seguinte, anote o seu telefone na parte da frente da sunga.

Me assustei com a ousadia sem tamanho, mas quem estava dando o tom da intensidade da conversa era simplesmente ela. Não limitou e só fiz o que deveria ter feito e dito.

- Eu...

Interrompi automaticamente ela falando e entreguei meu celular destravando-o rapidamente e habilmente com uma das mãos. Estiquei o braço e entreguei.

- Coloque o número e o seu nome... Alessandra, não é?!

Estava com olhares rápidos e precisos, nesta hora ao falar e entregar o celular olhei o nome dela preso em cima do uniforme no lugar padrão. Ela alinhou os olhos para o celular, deu um sorriso e começou a descontar seu embaraço sobre os dedos gentilmente digitando os números.

- Toma, nem acredito que fiz isso.

Ela falou entregando o celular, peguei o mesmo sem olhar e devolvi ao bolso esquerdo. Neste exato instante ao descansar o telefone o mesmo começou a vibrar, era alguém me ligando. A deixei batendo os preços e as peças e atendi uma colega.

- Só um momento.

Falei dando um meio sorriso e iniciando uma conversa. Neste meio tempo me desliguei um pouco da situação, não notei o tempo exato que passou e nem nela, mas foi o suficiente para ela passar tudo e perguntar a forma de pagamento. Entreguei o cartão e debitei. Antes de a nota faturar desliguei o telefone.

- Olha eu vou ligar, tem algum problema em relação a horário?

A pergunta foi para saber se ela tinha algum compromisso sério com alguém, se me falasse que tinha algum problema era óbvio, mas também não era pra me importar, creio que era ela quem deveria se tivesse. Ainda consegui saber o seu tempo de expediente.

- Não me liga de 9 da manhã até ás 18 horas, pois é meu horário de trabalho.

Visivelmente ela estava aflita ou estava se fazendo para mostrar algo, ainda não consigo certamente decifrar. Assenti com a cabeça, peguei o cartão e os papéis e guardei tudo.

- Ligarei após seu horário de trabalho... Tudo bem?

Esperei uma resposta positiva visual, dei mais um sorriso, acenei e virei para ir embora. Não olhei pra trás e nem me despedi oralmente.

Sinceramente me surpreendi. Tenho aprendido diversas técnicas e modo de agir em situações de tensão, que me travam e me tomam completamente. Essa poderia ser uma conversa apenas mental, eu poderia não ter rompido a barreira dos 3 segundos e nem ao menos iniciado a conversa.

Ao sair sentir o Ar mais puro me impulsionando, como se me elevasse mais que meus 1,84 de altura, levei meu óculos escuros ao rosto, liguei o playlist de eletrônicas e embalei minha caminhada de volta.

Óculos, Som, Ousadia e Liberdade.
...você voltou mais embalado, mais audaz que o de costume, se não fossem aquelas mensagens vistas na manhã de segunda que o fizeram tremer as mãos com as verdades expostas, ainda estaria preso ao Rafael de outrora. Aquelas palavras ditas a si ao acordar todo dia na frente do espelho, repetindo-as por 20 vezes estão dando seu devido retorno.

- Atitude, Coragem, Humildade, Segurança e Ousadia.

Sem medo... sem medo... sem medo....