5/19/2013

Dopando a Realidade.

...sinto minha mão pesar.
A visão vai ficando turva, esquivando sempre cada vez mais longe. Estou deitado em um local bem estreito, porém bem conhecido, pela segunda vez. Mas nada é igual a de outrora. Os olhos se fecham e o pensamento prossegue, como uma máquina de engrenagem a total vapor.

... -Morra!
... -Bem feito, se machucou porque quis!
... -vai doer em você mesmo!
... -foi especial, diferente... o primeiro.
... -Ela é mais minha do que sua, sempre vai ser!

... -Tem que me dar, não estou nem aí!
... -Eu o criei e sei que só você deu vida ao que não existiu!

... -Eu te odeio!

Essas palavras ditas a mim há um tempo atrás me consomem internamente, vem e vão como se interligassem em bolinhas azuis, é assim que eu as vejo, batendo uma nas outras refletindo idéias e mensagem deixadas pra trás, criando ligações e nexos. Fortalecendo todo um pensamento firme e embasado.

- Não dá mais, cara. - Penso.

... Mas peraí! Meu braço dói! Alguém está apertando com muita força, não consigo mexê-lo.
Sinto tudo dormente, tudo bem pesado, agora não só a mão como da primeira vez. Sinto um aperto imenso no braço, algo pedindo uma decisão.

- É agora ou sofra com as sequelas! - Falo internamente.

Tento abrir os olhos e parcialmente vejo do meu lado direito uma proteção esverdeada, para que eu não olhe o resultado, não importa o que aconteça, alguém está ali. Os olhos travam querendo saber mais, procurar o porque, mas tudo toma conta de mim, estou a mercê da situação, não tenho o que fazer.
Odeio estes tipos de situações, eu mando em mim e faço o que eu tenho que fazer, não gosto quando saio do controle sem que eu me permita.

- Ta doendo, estou sentido dor! - Digo.

Vontade de sair correndo é imensa, eu não preciso de ninguém pra criar problemas e resolvê-los, eu mesmo faço isso sozinho, eu respondo pelos meus atos, eu tenho ciência de abranger meu erros e canalizá-los para superar algo presente ou...para que o valha! Quem sabe sou eu!

- Rafael, me ouve?
- Rafael?
- Acabou, Rafael...?

Balanço a cabeça com o sinal de que está tudo bem, ainda sonolento sinto me trocarem de lugar e de me ajeitarem, me sinto horrível, me sinto um estorvo, sem força, sem poder fazer nada.

...sinto que o ciclo acabou e preciso encerrá-lo para começar outro, preciso fechá-lo, preciso agora mais do que nunca precisei... domando meu sentimento, treinando a minha razão, sem me perder, evoluindo.


-Levante-se, Rafael. É a hora. - Um som bate aos meus ouvidos forte e estridente.

0 Se importaram!:

Postar um comentário